"Eu tinha uma grande aversão em colocar minha cabeça na água, ou seja, molhar o rosto mesmo.
Meu técnico ficava fora da piscina, me acompanhando, com uma vassoura na mão e batendo na minha cabeça para que eu a abaixasse. Devo dizer que não são memórias prazeroas".
O autor dessa frase, além de revelar que não gostava muito de nadar quando criança, confessa que tem um certo trauma dessa época. E quem iria imaginar que, anos depois, essa criança viria a se tornar um dos maiores fundistas da história, com certeza sem nenhuma aversão às piscinas - caso contrário não nadaria os 1500 livre por três Olimpíadas consecutivas. Estamos falando do australiano Kieren Perkins, um dos maiores ídolos da história do esporte de seu país e um dos responsáveis pela enorme popularidade que a natação alcançou na Austrália.
Perkins nasceu no dia 14 de agosto de 1973, na cidade de Brisbane. Ele conta que, quando criança, "meu pai tinha uma regra: nós tínhamos que fazer algum esporte, eu e meu irmão, não importa qual, mas tínhamos que praticar um esporte e eles (os pais) nos apoiariam no que escolhessemos".
Perkins tentou alguns esportes, até que chegou à natação. Como já vimos em suas próprias palavras, não era exatamente o que ele mais gostava de fazer, mas seguiu com o esporte como uma forma de se exercitar algumas poucas vezes por semana.
Foi quando, aos oito anos, Perkins brincava de pega-pega com seu irmão Jared em sua casa. Jared entrou em um cômodo da casa e fechou a porta para que Kieren não entrasse. No entanto, Kieren não conseguiu parar e atingiu em cheio a porta, que era de vidro. O impacto foi tão grande que os vizinhos pensaram se tratar de uma explosão. Kieren se feriu seriamente e foi encaminhado para o hospital, onde tomou 87 pontos. O ferimento mais grave foi em sua panturrilha esquerda. Os médicos chegaram inclusive cogitar a amputar a perna, e pensavam que Kieren nunca mais pudesse andar novamente.
Foi então que os médicos sugeriram a natação como trabalho de fortalecimento. Aquele esporte que servia de passatempo algumas vezes por semana agora deveria ser encarada de maneira séria, regular, diariamente.
Após um trabalho de 3 meses, Kieren já podia andar novamente. Sua recuperação foi total. E mais: o contato diário com a piscina o fez tomar gosto pelo esporte. Além disso, foi nesse período que ele conheceu o treinador John Carew, que teria uma grande influência em sua carreira.
Uma passagem marcante relatada pelo próprio Perkins aconteceu quando ele tinha "uns 10 ou 11 anos", e mostra uma maturidade impressionante. Naquela ocasião, em um torneio de natação, Perkins terminou sua prova em último lugar. Ao contrário do que se pode imaginar, ele saiu da piscina efusivo e, com um sorriso no rosto, correu em direção aos seus pais perguntando: "foi meu melhor tempo? Consegui melhorar meu tempo??" "Essa sempre foi minha filosofia, desde quando criança até hoje", diz Perkins. "Essa é a referência que eu uso: será que fiz meu melhor?"
Quando Kieren Perkins tinha 13 anos, seu técnico John Carew o introduziu aos treinamentos de fundo. Aos 14 anos, ele conquistou seu primeiro título estadual, em uma prova de 400 livre, vencendo Craig Hackett - irmão de Grant Hackett!! Em 1989, aos 15 anos, foi campeão nacional de categoria dos 400 e 1500. Foi quando decidiu fazer da natação sua profissão. "Foi quando eu comecei a mostrar que tinha algum talento". Na época, ele já dividia a escola com treinos que variavam de 70 a 80 quilômetros por semana. No mesmo ano, terminou em 2º no Australiano Absoluto nos 1500, atrás apenas de Glen Housman, que na ocasião bateu o recorde mundial.
Aos 16 anos, Perkins começou a nadar 16 quilômetros por dia, que seria a distância média percorrida por dia até o fim de sua carreira. Naquele ano, em 1990, seu técnico previu que ele nadaria abaixo dos 15 minutos nos 1500 nos Jogos da Comunidade Britânica. Ninguém acreditou muito, mas Perkins fez 14:58.08, atrás apenas do então recordista mundial Housman, se tornando o terceiro homem da história da natação a nadar abaixo de 15 minutos e o mais jovem até hoje a nadar abaixo dessa mítica barreira.
Em 1991 Perkins nadou uma prova alucinante no Campeonato Mundial de natação em Perth, Austrália, ao lado do alemão Jorg Hoffman. Durante todos os 1500 metros, ambos lutaram braçada a braçada, e Perkins nadou abaixo do antigo recorde mundial com 14:50.58, mas suficiente apenas para a segunda posição, 22 centésimos atrás do experiente Hoffman. Anos mais tarde, Hoffman confessaria que se dopava à época (na foto ao lado, Perkins com sua prata).
Foi então que Perkins começou a oferecer ao mundo um domínio avassalador nas provas de fundo. No Pan-Pacífico daquele ano, em Edmonton (Canadá), Perkins nadou os 1500 com o objetivo de bater o recorde dos 800 livre na passagem da prova. Foi o que ele fez: nadou 800 metros, parou para ver o placar, confirmou seu recorde, continuou nadando a prova e ainda venceu! "Eu não ia esperar mais 700 metros para saber se eu tinha quebrado o recorde ou não", disse ele mais tarde. Seu tempo de 7:47.85 melhorou em quase três segundos a antiga marca de Vladimir Salnikov.
O ano de 1992 representou a consagração definitiva de Perkins. No começo do ano, em um campeonato estadual, melhorou seu recorde mundial dos 800 livre com 7:46.60. Três meses antes dos Jogos Olímpicos daquele ano, em Barcelona, se tornou recordista mundial dos 400 livre (3:46.47) e dos 1500 livre (14:48.40) pela primeira vez na carreira. O feito foi alcançado durante a Seletiva Olímpica Australiana, em Camberra. Chegou a Barcelona como franco favorito em ambas as provas. E não decepcionou. Primeiro, nadou os 400 livre para 3:45.16 e melhorou sua antiga marca. Mas o pesadelo de superar o recorde mundial e ainda assim terminar na segunda colocação voltou a acontecer, com o russo Evguenyi Sadovyi o superando por 16 centésimos. Com seus brios inflamados, caiu na piscina no último dia de competições para simplesmente destruir seu recorde mundial dos 1500. Virando os primeiros 100 metros muito forto com 55.30, já eliminou qualquer possibilidade de ser acompanhado. Terminou com 14:43.48,mais de 20 metros na frente do segundo colocado (na foto, no pódio da prova).
Foi a maior margem de melhora do recorde mundial dos 1500 desde 1975. Perguntado se poderia manter a hegemonia por muito tempo, assim como a lenda do fundo russo Vladimir Salnikov, campeão olímpico em 1980 e 1988, Perkins desconversou: "Os 1500 é uma prova boa para nadadores jovens. Quero continuar melhorando, mas não sei se agüento nadar por mais oito anos".
O show continuou em 1993: bateu recordes mundiais dos 800 e 1500 livre em piscina curta e conquistou 3 medalhas de ouro no Pan-Pacífico. Foi ainda peça fundamental na eleição de Sydney para sede das Olimpíadas de 2000.
Meu técnico ficava fora da piscina, me acompanhando, com uma vassoura na mão e batendo na minha cabeça para que eu a abaixasse. Devo dizer que não são memórias prazeroas".O autor dessa frase, além de revelar que não gostava muito de nadar quando criança, confessa que tem um certo trauma dessa época. E quem iria imaginar que, anos depois, essa criança viria a se tornar um dos maiores fundistas da história, com certeza sem nenhuma aversão às piscinas - caso contrário não nadaria os 1500 livre por três Olimpíadas consecutivas. Estamos falando do australiano Kieren Perkins, um dos maiores ídolos da história do esporte de seu país e um dos responsáveis pela enorme popularidade que a natação alcançou na Austrália.
Perkins nasceu no dia 14 de agosto de 1973, na cidade de Brisbane. Ele conta que, quando criança, "meu pai tinha uma regra: nós tínhamos que fazer algum esporte, eu e meu irmão, não importa qual, mas tínhamos que praticar um esporte e eles (os pais) nos apoiariam no que escolhessemos".
Perkins tentou alguns esportes, até que chegou à natação. Como já vimos em suas próprias palavras, não era exatamente o que ele mais gostava de fazer, mas seguiu com o esporte como uma forma de se exercitar algumas poucas vezes por semana.
Foi quando, aos oito anos, Perkins brincava de pega-pega com seu irmão Jared em sua casa. Jared entrou em um cômodo da casa e fechou a porta para que Kieren não entrasse. No entanto, Kieren não conseguiu parar e atingiu em cheio a porta, que era de vidro. O impacto foi tão grande que os vizinhos pensaram se tratar de uma explosão. Kieren se feriu seriamente e foi encaminhado para o hospital, onde tomou 87 pontos. O ferimento mais grave foi em sua panturrilha esquerda. Os médicos chegaram inclusive cogitar a amputar a perna, e pensavam que Kieren nunca mais pudesse andar novamente.
Foi então que os médicos sugeriram a natação como trabalho de fortalecimento. Aquele esporte que servia de passatempo algumas vezes por semana agora deveria ser encarada de maneira séria, regular, diariamente.
Após um trabalho de 3 meses, Kieren já podia andar novamente. Sua recuperação foi total. E mais: o contato diário com a piscina o fez tomar gosto pelo esporte. Além disso, foi nesse período que ele conheceu o treinador John Carew, que teria uma grande influência em sua carreira.Uma passagem marcante relatada pelo próprio Perkins aconteceu quando ele tinha "uns 10 ou 11 anos", e mostra uma maturidade impressionante. Naquela ocasião, em um torneio de natação, Perkins terminou sua prova em último lugar. Ao contrário do que se pode imaginar, ele saiu da piscina efusivo e, com um sorriso no rosto, correu em direção aos seus pais perguntando: "foi meu melhor tempo? Consegui melhorar meu tempo??" "Essa sempre foi minha filosofia, desde quando criança até hoje", diz Perkins. "Essa é a referência que eu uso: será que fiz meu melhor?"
Quando Kieren Perkins tinha 13 anos, seu técnico John Carew o introduziu aos treinamentos de fundo. Aos 14 anos, ele conquistou seu primeiro título estadual, em uma prova de 400 livre, vencendo Craig Hackett - irmão de Grant Hackett!! Em 1989, aos 15 anos, foi campeão nacional de categoria dos 400 e 1500. Foi quando decidiu fazer da natação sua profissão. "Foi quando eu comecei a mostrar que tinha algum talento". Na época, ele já dividia a escola com treinos que variavam de 70 a 80 quilômetros por semana. No mesmo ano, terminou em 2º no Australiano Absoluto nos 1500, atrás apenas de Glen Housman, que na ocasião bateu o recorde mundial.
Aos 16 anos, Perkins começou a nadar 16 quilômetros por dia, que seria a distância média percorrida por dia até o fim de sua carreira. Naquele ano, em 1990, seu técnico previu que ele nadaria abaixo dos 15 minutos nos 1500 nos Jogos da Comunidade Britânica. Ninguém acreditou muito, mas Perkins fez 14:58.08, atrás apenas do então recordista mundial Housman, se tornando o terceiro homem da história da natação a nadar abaixo de 15 minutos e o mais jovem até hoje a nadar abaixo dessa mítica barreira.Em 1991 Perkins nadou uma prova alucinante no Campeonato Mundial de natação em Perth, Austrália, ao lado do alemão Jorg Hoffman. Durante todos os 1500 metros, ambos lutaram braçada a braçada, e Perkins nadou abaixo do antigo recorde mundial com 14:50.58, mas suficiente apenas para a segunda posição, 22 centésimos atrás do experiente Hoffman. Anos mais tarde, Hoffman confessaria que se dopava à época (na foto ao lado, Perkins com sua prata).

Foi então que Perkins começou a oferecer ao mundo um domínio avassalador nas provas de fundo. No Pan-Pacífico daquele ano, em Edmonton (Canadá), Perkins nadou os 1500 com o objetivo de bater o recorde dos 800 livre na passagem da prova. Foi o que ele fez: nadou 800 metros, parou para ver o placar, confirmou seu recorde, continuou nadando a prova e ainda venceu! "Eu não ia esperar mais 700 metros para saber se eu tinha quebrado o recorde ou não", disse ele mais tarde. Seu tempo de 7:47.85 melhorou em quase três segundos a antiga marca de Vladimir Salnikov.
O ano de 1992 representou a consagração definitiva de Perkins. No começo do ano, em um campeonato estadual, melhorou seu recorde mundial dos 800 livre com 7:46.60. Três meses antes dos Jogos Olímpicos daquele ano, em Barcelona, se tornou recordista mundial dos 400 livre (3:46.47) e dos 1500 livre (14:48.40) pela primeira vez na carreira. O feito foi alcançado durante a Seletiva Olímpica Australiana, em Camberra. Chegou a Barcelona como franco favorito em ambas as provas. E não decepcionou. Primeiro, nadou os 400 livre para 3:45.16 e melhorou sua antiga marca. Mas o pesadelo de superar o recorde mundial e ainda assim terminar na segunda colocação voltou a acontecer, com o russo Evguenyi Sadovyi o superando por 16 centésimos. Com seus brios inflamados, caiu na piscina no último dia de competições para simplesmente destruir seu recorde mundial dos 1500. Virando os primeiros 100 metros muito forto com 55.30, já eliminou qualquer possibilidade de ser acompanhado. Terminou com 14:43.48,mais de 20 metros na frente do segundo colocado (na foto, no pódio da prova).
Foi a maior margem de melhora do recorde mundial dos 1500 desde 1975. Perguntado se poderia manter a hegemonia por muito tempo, assim como a lenda do fundo russo Vladimir Salnikov, campeão olímpico em 1980 e 1988, Perkins desconversou: "Os 1500 é uma prova boa para nadadores jovens. Quero continuar melhorando, mas não sei se agüento nadar por mais oito anos".O show continuou em 1993: bateu recordes mundiais dos 800 e 1500 livre em piscina curta e conquistou 3 medalhas de ouro no Pan-Pacífico. Foi ainda peça fundamental na eleição de Sydney para sede das Olimpíadas de 2000.
(fonte: http://raia-quatro-blog.zip.net/)
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