Continuação da parte 1 - Se você não leu clique aqui: PARTE 1
King Kieren Perkins - parte 2
1994 foi o ano da afirmação como o maior fundista do mundo. A destruição de marcas começou nos Jogos da Comunidade Britânica, em Victoria, na Austrália. Venceu os 400 livre com 3:45.77, sua segunda melhor marca até então. Sua performance nos 1500 livre naquele campeonato é considerada uma das maiores exibições da história da natação. Começando em ritmo muito forte, definiu a prova logo nos
primeiros metros. Na marca dos 800 metros, virou com o tempo de 7:46.00 – no pé! – e melhorou seu recorde mundial. Não satisfeito, completou a prova com o tempo de 14:41.66, se tornando o único nadador da história a bater dois recordes mundiais em uma única prova! Seus recordes seriam superados apenas sete anos depois. Naquele campeonato, ainda venceu os 200 livre e 4x200 livre.
Duas semanas depois, no Campeonato Mundial de Roma, mostrou que segurou a boa forma. Venceu os 400 livre com 3:43.80, um recorde que durou por cinco anos até o aparecimento de Ian Thorpe. "Eu voei!", disse Perkins após a prova. Pudera: sua vitória aconteceu com uma folga jamais vista naquela prova em um Mundial até então. Apesar de doente, também venceu os 1500, com 14:50.52, seu quarto melhor tempo até então. E dividiu os méritos com seu técnico: "John Carew é o melhor treinador de fundo do mundo". Encerrou o ano eleito como o melhor nadador do mundo pela tradicional revista americana Swimming World.
Em 1995, sua maior conquista foi a vitória nos 1500 no Campeonato Pan-Pacífico, em Atlanta. Mas não fez um tempo à altura de seus feitos anteriores (14:58.92). Muitos acreditavam em uma possível decadência do ídolo. Ainda mais quando, na Seletiva Olímpica de 1996 para os Jogos de Atlanta, ele ficou apenas na terceira posição nos 400 livre e, com isso, não poderia defender seu título olímpico. Juntando com seu segundo lugar nos 1500, foi alvo de duras críticas. Poucos se preocuparam em saber que ele competiu no sacrifício, atacado por uma virose. Após a seletiva, por duas semanas não conseguiu treinar.
Nos Jogos de Atlanta, nadou 40 segundos acima de seu melhor tempo nas eliminatórias e se classificou para a final apenas na oitava posição - se Perkins tivesse nadado 12 centésimos mais lento, estaria fora da final. Novamente foi atacado pela imprensa. Os jornais o davam como acabado. "KIEREN SINKS" (Kieren afunda), diziam os diários. Mas calou os críticos no dia seguinte, dia da final. Passando os primeiros 100m com 55.30 (exatamente a mesma parcial de Barcelona/1992!), venceu os 1500 nadando na raia oito com 14:56.40 fazendo a dobradinha com Daniel Kowalski e se tornou lenda (ao lado sua comemoração histórica). "Palavras não são suficientes para descrever o que sinto. Foi difícil ganhar o ouro pela primeira vez em 1992, mas ganhar novamente foi milhares de vezes mais difícil". Sua vitória emocionou muitos. Sua companheira de seleção australiana, Hayley Lewis, declarou, entre lágrimas: "ele é um grande campeão! Todos os australianos devem beijar o chão que ele anda! Ele é o maior nadador da história e uma grande pessoa! A Austrália tem muita sorte de tê-lo".
Suas conquistas olímpicas e seus diversos recordes foram fundamentais para recuperar o prestígio da natação australiana, meio em baixa após os anos 80, anos de domínio dos americanos e das alemãs-orientais. Preparou terreno para a geração seguinte de nadadores. Se hoje a natação é o esporte mais popular da Austrália, a comunidade aquática deve muito disso a King Kieren Perkins.
Depois de um período de merecido descanso após o bicampeonato olímpico, voltou em 1997 para tentar a classificação para o Campeonato Pan-Pacífico de Fukuoka. Não nadou bem e pouco pôde fazer diante do aparecimento dos fenômenos Ian Thorpe e Grant Hackett. Também não se classificou para o Campeonato Mundial de Perth/1998, realizado em seu país. A seqüência de decepções continuou em 1999, quando não obteve bons resultados no principal torneio de 1999, o Pan-Pacífico de Sydney. Seu tempo nos 1500 (15:28.43) foi mais de 45 segundos pior que sua melhor marca.
Mas Perkins tinha um objetivo na cabeça: encerrar de maneira honrosa sua gloriosa carreira, nadando as Olimpíadas em seu país. Se conseguisse isso, poderia se aposentar satisfeito. Seria a melhor maneira de mostrar ao mundo que não estava acabado para a natação.
E ele conseguiu convencer o mundo que estava de volta à sua melhor forma. Na Seletiva Olímpica Australiana, em maio de 2000, conseguiu carimbar o passaporte para os Jogos Olímpicos de Sydney em sua especialidade, ao cravar 15:01.10 e terminar na segunda colocação atrás de Grant Hackett. Perkins, assim, ia para sua terceira Olimpíada tentar um tricampeonato inédito entre os homens.
Na abertura dos Jogos, a popularidade do atleta foi mais que comprovada, quando, ao som da música tema dos Jogos "Heroes Live Forever", sua imagem comemorando a conquista olímpica de 1996 (mostrada na foto lá em cima) apareceu refletida nas arquibancadas do Estádio Olímpico. Foi o único nadador a ter essa honra.
Oito anos depois de Barcelona/1992, Perkins ainda continuava competitivo. Ao contrário de sua previsão de oito anos antes, ele não só agüentava nadar os 1500 como tinha a chance de um inédito tricampeonato olímpico. Que parecia cada dia mais palpável à medida que as provas de natação iam acontecendo. Sua maior ameaça nos 1500, Grant Hackett, estava apresentando resultados decepcionantes em outras provas (200 e 400 livre). Nas eliminatórias de sua prova, Perkins registrou o melhor tempo já obtido em uma eliminatória dos 1500 livre na história da natação: 14:58.34, seu melhor tempo desde as Olimpíadas de Atlanta. A final prometia ser eletrizante, com Perkins buscando o tri e Hackett querendo seu primeiro ouro olímpico. Os australianos sabiam disso, tanto que a audiência da final da prova na televisão foi a maior da história do país para um evento esportivo: 86% da população (15 milhões de telespectadores). Não se falava em outra coisa na Austrália. Naqueles 15 minutos, o país inteiro parou. Ao final, Perkins conseguiu um tempo ainda melhor do que o obtido na Olimpíada de 1996: 14:53.59. Mas Hackett dominou a prova durante todo o percurso e venceu com 14:48.33 (ao lado, ambos após a prova).
Perkins se mostrou resignado com a prata: "Sou um competidor. Claro que eu queria ganhar, mas definitivamente foi um bom resultado. Se alguém tinha que me vencer, melhor que seja um australiano".
Depois de Sydney, se aposentou. Mas não se afastou da natação, trabalhando por vezes como comentarista para canais de televisão e escrevendo colunas em jornais australianos. Foi eleito para o quadro da Comissão Australiana de Esportes. Muitos o consideram o maior nadador homem da Austrália de todos os tempos. Entre seus inúmeros feitos, está o de ser o primeiro nadador da história a ter os títulos olímpico, mundial, dos Jogos da Comunidade Britânica e do Pan-Pacífico. Também é o mais condecorado nadador da história olímpica em uma prova, com dois ouros e uma prata nos 1500 livre. Alexander Popov também tem dois ouros e uma prata nos 100 livre, mas o feito de Perkins toma uma magnitude diferente por se tratar daquela que é talvez a prova mais dura da natação para treinar e competir.
1994 foi o ano da afirmação como o maior fundista do mundo. A destruição de marcas começou nos Jogos da Comunidade Britânica, em Victoria, na Austrália. Venceu os 400 livre com 3:45.77, sua segunda melhor marca até então. Sua performance nos 1500 livre naquele campeonato é considerada uma das maiores exibições da história da natação. Começando em ritmo muito forte, definiu a prova logo nos
primeiros metros. Na marca dos 800 metros, virou com o tempo de 7:46.00 – no pé! – e melhorou seu recorde mundial. Não satisfeito, completou a prova com o tempo de 14:41.66, se tornando o único nadador da história a bater dois recordes mundiais em uma única prova! Seus recordes seriam superados apenas sete anos depois. Naquele campeonato, ainda venceu os 200 livre e 4x200 livre.Duas semanas depois, no Campeonato Mundial de Roma, mostrou que segurou a boa forma. Venceu os 400 livre com 3:43.80, um recorde que durou por cinco anos até o aparecimento de Ian Thorpe. "Eu voei!", disse Perkins após a prova. Pudera: sua vitória aconteceu com uma folga jamais vista naquela prova em um Mundial até então. Apesar de doente, também venceu os 1500, com 14:50.52, seu quarto melhor tempo até então. E dividiu os méritos com seu técnico: "John Carew é o melhor treinador de fundo do mundo". Encerrou o ano eleito como o melhor nadador do mundo pela tradicional revista americana Swimming World.
Em 1995, sua maior conquista foi a vitória nos 1500 no Campeonato Pan-Pacífico, em Atlanta. Mas não fez um tempo à altura de seus feitos anteriores (14:58.92). Muitos acreditavam em uma possível decadência do ídolo. Ainda mais quando, na Seletiva Olímpica de 1996 para os Jogos de Atlanta, ele ficou apenas na terceira posição nos 400 livre e, com isso, não poderia defender seu título olímpico. Juntando com seu segundo lugar nos 1500, foi alvo de duras críticas. Poucos se preocuparam em saber que ele competiu no sacrifício, atacado por uma virose. Após a seletiva, por duas semanas não conseguiu treinar.
Nos Jogos de Atlanta, nadou 40 segundos acima de seu melhor tempo nas eliminatórias e se classificou para a final apenas na oitava posição - se Perkins tivesse nadado 12 centésimos mais lento, estaria fora da final. Novamente foi atacado pela imprensa. Os jornais o davam como acabado. "KIEREN SINKS" (Kieren afunda), diziam os diários. Mas calou os críticos no dia seguinte, dia da final. Passando os primeiros 100m com 55.30 (exatamente a mesma parcial de Barcelona/1992!), venceu os 1500 nadando na raia oito com 14:56.40 fazendo a dobradinha com Daniel Kowalski e se tornou lenda (ao lado sua comemoração histórica). "Palavras não são suficientes para descrever o que sinto. Foi difícil ganhar o ouro pela primeira vez em 1992, mas ganhar novamente foi milhares de vezes mais difícil". Sua vitória emocionou muitos. Sua companheira de seleção australiana, Hayley Lewis, declarou, entre lágrimas: "ele é um grande campeão! Todos os australianos devem beijar o chão que ele anda! Ele é o maior nadador da história e uma grande pessoa! A Austrália tem muita sorte de tê-lo".Suas conquistas olímpicas e seus diversos recordes foram fundamentais para recuperar o prestígio da natação australiana, meio em baixa após os anos 80, anos de domínio dos americanos e das alemãs-orientais. Preparou terreno para a geração seguinte de nadadores. Se hoje a natação é o esporte mais popular da Austrália, a comunidade aquática deve muito disso a King Kieren Perkins.
Depois de um período de merecido descanso após o bicampeonato olímpico, voltou em 1997 para tentar a classificação para o Campeonato Pan-Pacífico de Fukuoka. Não nadou bem e pouco pôde fazer diante do aparecimento dos fenômenos Ian Thorpe e Grant Hackett. Também não se classificou para o Campeonato Mundial de Perth/1998, realizado em seu país. A seqüência de decepções continuou em 1999, quando não obteve bons resultados no principal torneio de 1999, o Pan-Pacífico de Sydney. Seu tempo nos 1500 (15:28.43) foi mais de 45 segundos pior que sua melhor marca.
Mas Perkins tinha um objetivo na cabeça: encerrar de maneira honrosa sua gloriosa carreira, nadando as Olimpíadas em seu país. Se conseguisse isso, poderia se aposentar satisfeito. Seria a melhor maneira de mostrar ao mundo que não estava acabado para a natação.
E ele conseguiu convencer o mundo que estava de volta à sua melhor forma. Na Seletiva Olímpica Australiana, em maio de 2000, conseguiu carimbar o passaporte para os Jogos Olímpicos de Sydney em sua especialidade, ao cravar 15:01.10 e terminar na segunda colocação atrás de Grant Hackett. Perkins, assim, ia para sua terceira Olimpíada tentar um tricampeonato inédito entre os homens.
Na abertura dos Jogos, a popularidade do atleta foi mais que comprovada, quando, ao som da música tema dos Jogos "Heroes Live Forever", sua imagem comemorando a conquista olímpica de 1996 (mostrada na foto lá em cima) apareceu refletida nas arquibancadas do Estádio Olímpico. Foi o único nadador a ter essa honra.
Oito anos depois de Barcelona/1992, Perkins ainda continuava competitivo. Ao contrário de sua previsão de oito anos antes, ele não só agüentava nadar os 1500 como tinha a chance de um inédito tricampeonato olímpico. Que parecia cada dia mais palpável à medida que as provas de natação iam acontecendo. Sua maior ameaça nos 1500, Grant Hackett, estava apresentando resultados decepcionantes em outras provas (200 e 400 livre). Nas eliminatórias de sua prova, Perkins registrou o melhor tempo já obtido em uma eliminatória dos 1500 livre na história da natação: 14:58.34, seu melhor tempo desde as Olimpíadas de Atlanta. A final prometia ser eletrizante, com Perkins buscando o tri e Hackett querendo seu primeiro ouro olímpico. Os australianos sabiam disso, tanto que a audiência da final da prova na televisão foi a maior da história do país para um evento esportivo: 86% da população (15 milhões de telespectadores). Não se falava em outra coisa na Austrália. Naqueles 15 minutos, o país inteiro parou. Ao final, Perkins conseguiu um tempo ainda melhor do que o obtido na Olimpíada de 1996: 14:53.59. Mas Hackett dominou a prova durante todo o percurso e venceu com 14:48.33 (ao lado, ambos após a prova).
Perkins se mostrou resignado com a prata: "Sou um competidor. Claro que eu queria ganhar, mas definitivamente foi um bom resultado. Se alguém tinha que me vencer, melhor que seja um australiano".Depois de Sydney, se aposentou. Mas não se afastou da natação, trabalhando por vezes como comentarista para canais de televisão e escrevendo colunas em jornais australianos. Foi eleito para o quadro da Comissão Australiana de Esportes. Muitos o consideram o maior nadador homem da Austrália de todos os tempos. Entre seus inúmeros feitos, está o de ser o primeiro nadador da história a ter os títulos olímpico, mundial, dos Jogos da Comunidade Britânica e do Pan-Pacífico. Também é o mais condecorado nadador da história olímpica em uma prova, com dois ouros e uma prata nos 1500 livre. Alexander Popov também tem dois ouros e uma prata nos 100 livre, mas o feito de Perkins toma uma magnitude diferente por se tratar daquela que é talvez a prova mais dura da natação para treinar e competir.
(fonte: http://raia-quatro-blog.zip.net/)
Um comentário:
Wlad, fantástico esse artigo!
São leituras como esta que fazem bem às pessoas, que mostram do que o ser humano é capaz. Parabéns pela escolha!
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