Sou, confesso, fã incondicional de Michael Phelps. Admiro o sujeito pelo que faz, pelo que é. Fiz entrevista com ele para a edição da primeira semana de dezembro da Revista A+ e mergulhei fundo numa pesquisa sobre sua vida, para fugir do lugar comum das perguntas. E aprendi demais sobre esse americano.Li dois livros e vi um DVD sobre Michael Phelps.
O moleque teve de tudo para desistir da vida como nadador. Teve uma infância complicada, sofrendo de síndrome de atenção e vendo o divórcio dos pais quando tinha sete anos. Que criança nessa idade entende que o pai não volta mais para casa no fim do dia? Nenhuma. Michael Fred Phelps II também não entendia.Começou a nadar para acompanhar a irmã nos treinos, bateu de frente com um técnico turrão e teve de lidar com o fato de não praticar alguns esportes que gostava, como o futebol americano e o beisebol. Lidou com a notícia maravilhosa de ir para sua primeira Olimpíada aos 15 anos, e o fracasso seguinte de não ter conquistado uma medalha porque faltou-lhe atenção e plano de prova, como ele mesmo diz.
Seguiu com os sofrimentos inerentes a qualquer nadador, na seqüência, mas acabou triunfando, e sua história nos Mundiais seguintes e na Olimpíada de Atenas todo mundo conhece, não há necessidade de repetir aqui.Mas tem uma coisa na vida de Phelps que foi muito legal. O cara revela que, quando fracassou em Sydney, recebeu um bilhete do técnico que dizia: Austin WR. A tradução disso significa que ele estava cobrando do pupilo um recorde mundial no Campeonato Americano que ele disputaria no ano seguinte. Phelps diz que viveu com aquilo na cabeça o tempo todo, e conseguiu a marca nos 200m borboleta, como prova de que poderia estar entre os melhores.Michael conta, o tempo todo, que admirava os rivais. Que via em Ian Thorpe a figura de um nadador perfeito, que ele sonhava em ser igual ao australiano, um dia. Pois Thorpe escreveu sua história, curta em tempo, interminável nas conquistas, mas passou. Aos 24 anos, já não existe mais para a natação, e Phelps continua dando suas braçadas, quebrando recordes mundiais, ganhando medalhas. Já é o maior de todos os tempos e ainda pode aumentar ainda mais seus feitos.
Descobri coisas sobre a vida de Michael Phelps que eu não sabia. Que portas também fechavam na sua cara mesmo depois de ser recordista mundial, mas que as que mais importavam continuavam abrindo, e assim continuam até hoje. O americano manteve a humildade, manteve a atenção que sempre teve pelas pessoas e parece ter nadado a vida inteira para provar alguma coisa para alguém. Hoje, não precisa mais.Por isso, e apenas por isso, o sujeito é um campeão. Gente boa nas piscinas a gente encontra com freqüência, mas fora delas não é assim tão fácil. Michael Phelps é um cara legal e bom naquilo que faz. Muito bom, diga-se de passagem.
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